De Boca Calada

Com quarto desarrumado
Senta na cama
Pensamentos longe
A solidão de estimação
Café sem açucar
Não faz diferença
É como se estivesse fugindo de casa
Sem sair do lugar

Na rodoviária se perde
Um quarto qualquer de um hotel
Às vezes corre para si mesmo

A tv fala só
As paredes manchadas colorem seus olhos
Acende o cigarro e deita.

Seus olhos se fecham
Aqueles dedos macios tocam suavemente sua pele.
A voz doce sussurra em seu ouvido.
Sorri só e dá outro trago.

A poesia o cerca
Num mundo azul de cores distantes.
Como o escuro do cinema quando se acostuma.
Sabe que a vida está quieta ao seu lado
Então se levanta e tenta tirar o fedor da casa.

Os passos são lentos,
Mas deixa que a água caia enquanto descansa os pensamentos
Na beleza da uz amarelada

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