De Medo Morre o Proprio Medo

E ela? Será que um dia saberá limpar todo este lixo à sua volta?
Será que ao menos saberá de algo, saberá, sentir, conhecer, viver?
Não é preciso se livrar da dor, só organizar a cabeça.
Limpar a sujeira.

Estou aqui parado, olhando o horizonte, o mar é longo demais para que eu chegue ao fim.
E o amor? Ele chega de algum desses lados?
Ela continua lá parada, intacta, sem nem saber para onde olha.

Já se mudou de casa? Quando chega na casa nova, se instala...
Antes de organizar todas as coisas, aquela imensa bagunça
Móveis para todos os lados, você não acha nada.
É exatamente assim que sempre imaginei minha cabeça por dentro.

Às vezes vejo tudo acontecer e pareço saber de cor como será o fim.
Perdi todos meus amuletos por falta de cuidado
Perdi até eu mesmo num escuro distante e me encontrei num beco com uma luz muito fraca
Num sereno breve como companhia

Às vezes também tento correr para alcançá-la, mas sei que no fundo quero deixar que caia
Não quero noticias
E dizer que nem queria a conhecer.
Diria ela mesma estas coisas para aquela dor inexistente

É como eu disse, é tudo uma pura falta de organização
Ta tudo bem, sereno...
Vodka e laranja, sol leve e a cadeira de praia.
Los Hermanos - Morena e a brisa leve do mar
Medo de viver, mas prefiro assim
Vida linda de prazer e de medo morre o próprio medo

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