Conto do Desespero

    Ela para, olha fixamente para o horizonte e só consegue ver a rua deserta e escura, tenta respirar e ver além do que está a frente de seus olhos, dá dois passos calmos à frente, fecha os olhos lentamente e inspira calmamente, abre os olhos lacrimejando, com olhar desesperador tenta gritar sabendo que jamais poderá ser escutada, então corre tentando alcançar o fim da rua, corre alguns metros até que sua respiração fique ofegante demais, mas não para e ao longe consegue ver uma luz fraca, amarelada... Rua longa, grande caminho fora escolher, justo quando o chão parece, cada vez mais, se desfazer sobre seus pés.
     Finalmente alcançou a luz, realmente era o fim, o fim da rua, um único e solitário poste em uma esquina deserta, só o que consegue fazer é olhar para traz, a ultima coisa que deveria fazer. Olha com um olhar triste a solidão numa imagem quase fosca do caminho percorrido... Do vazio de todo o caminho. Volta o olhar para o alto, para a luz meio amarelada, que lhe chama a atenção por alguns minutos, pensando em uma noite longa e confusa, uma noite que parece acelerar e acalmar ao mesmo tempo, todos os pensamentos, uma noite de sinfonia perfeita do silêncio e promessas de cores inexistentes, uma noite para se gritar e chorar tentando sentir o alivio e a mágica de se viver até sair de si ouvindo o bater de seu coração acelerado e o eco de sua forte respiração. Passa a ouvir um outro som, de longe, lhe faz voltar a si, uma buzina forte de caminhão, quando olha para a direita uma forte luz lhe ofusca os olhos, então ele freia, ela dá um passo para a calçada e o deixa passar, sorri consigo mesma e se ajoelha abaixando a cabeça sem saber o que fazer naquela encruzilhada no meio da noite, levanta e segue para a esquerda, sentido o caminhão e volta a correr até chegar a beira de um abismo, sem saber por onde o caminhão passou, pára, pensa em pular, mas senta na borda e se acalma.
    Acontece que o fim não é ali e estás ciente disso, há sempre outra opção além de se desesperar e pular, há a opção de voltar e seguir para o outro lado, sempre pode haver mais luz, há a opção de voltar o caminho que se fez e concertar os passos errado ou também a de esperar o amanhecer para se encontrar, sem se desesperar, porque se confias ou se acostumas somente no dia de sol o que farás quando vir um dia de chuva, numa tempestade? Então sentado se deita sozinha esperando o dia amanhecer e tentando que algum ar entre em seus pulmões, tentando finalmente respirar.
 

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