Pequenas Frestas

Um dia me disseram tudo o que eu não queria saber
E me mostraram tudo o que eu não queria ver,
Disseram estar abrindo meus olhos, quando
Na verdade, tapavam com as duas mãos.

Demorei para aprender a enchergar entre as frestas dos dedos
E respirar fora da mentira das mãos que me sufocavam,
Demorei para, com as minhas mãos, conseguir tirar de meu rosto
Os dedos que me cansavam as vistas
E lavar meus olhos dos medos que se geraram desse cansasso.

Consegui enchergar o Agosto
E aprendi a viver no agora.
Percebi os janeiros que perdi esperando fevereiro,
Então chegava fevereiro e eu nada tinha visto do janeiro.

E eu, de tanto não ver acabei vendo demais,
Agora na desistencia me levanto e caminho,
Vejo os que ficam, se sentam. Esperam que o tempo faça.
E eu nada posso fazer...
Subo as escadas para ver do alto o ainda mais distante
Para que mesmo sem planos eu possa ver onde vou pisar.

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