Minha Pretinha

            Outro dia eu estava aqui, no mesmo bar, como sempre. A garrafa de Brahma neste mesmo balcão de vidro e o Sandrão ali, entre um e outro cliente, vez ou outra, vinha trocar minha garrafa ou servir mais uma dose. 

Outro dia eu estava aqui, no mesmo bar, como sempre. Pensando, como agora. Do nada, né? Você sabe como é. Quando a gente começa a beber os pensamentos vão longe. A diferença é que naquele dia eu me toquei de uma coisa. Quer saber que coisa, Vagnão?

Então. Nesse dia, eu estava aqui, no mesmo bar, como sempre. Entre um pensamento e outro, me toquei que, desde de moleque, eu sempre quis ser grande, Vagnão. E eu sempre consegui tudo o que eu queria.

Nesse dia, que eu estava aqui, no mesmo bar, como sempre, eu me toquei que , não importava o que eu conseguisse alcançar, uma pequena parte de mim parecia faltar. 

Nesse dia, que eu estava aqui, no mesmo bar, como sempre, Vagnão, eu me toquei que, agora, pela primeira vez, nenhuma parte de mim parece faltar. Essa parte, Vagnão, a parte que me completou, chegou e é minha pretinha. 

Agora, novamente aqui, no mesmo bar, como sempre, eu percebi com mais clareza. Eu estou reconstruindo minha vida, mas com ela ao meu lado. Não tem nada mais que eu poderia querer, cara.

             Foda, Du!

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