O Dia Em Que o Morro Descer...
Fala aí Zé! Tranquilo?
Suave, Tião e ai?
De boa também.
E aí, vai querer o quê?
Desce aquele conhaque maroto pra mim.
Um copo vazio é colocado sobre o balcão de madeira. Seu Zé pega a garrafa de Dreher e capricha na dose para um de seus melhores freguês. Tião senta na banqueta de madeira, apoia o braço esquerdo no balcão e cruza as pernas com seu jeans gasto e o sapato bico de ferro, coberto de cimento do trabalho. Seu Zé fixa os olhos na camisa de Tião, com o símbolo de uma empreiteira, enquanto serve uma pequena dose de Vila Velha para si.
Tá chegando do trampo agora, cara?
Pior que tô, viu Zé! Fiz umas hora extra hoje pra ver se as coisas dão uma melhorada.
Tá certo. Mesmo porque o carnaval tá aí, já.
Pois é. Cidinha tá arrumando as coisas faz tempo já. Mas esse ano não vai dar pra fazer muito não.
Até entendo viu, Tião. A coisa tá feia mesmo!
Tião toma um gole do conhaque, olha para a rua, pensativo, com seu olhar cansado dos cinquenta pesados anos. Conclui que o movimento está forte hoje. Sexta-feira é sempre isso. Para um carro, o garoto preto, sem camisa, de chinelo e bermuda vai até o motorista, pega o dinheiro e entra na viela. Enquanto isso o carro sai. Provavelmente vai dar uma volta no quarteirão. O garoto volta, o carro para, o garoto vai novamente até a janela do motorista e entrega alguma coisa. O carro sai.
Pra molecada ali o negócio não tem crise não, hein Zé?
Ah, Capaz! HAHAHA! Essa molecada não para não rapaz!
O garoto atravessa a rua como se estivesse sambando, cantando um funk em voz alta, e pisca para uma mulata que desce as escadas do salão da Cida, localizado em cima do Bar do Seu Zé. O garoto entra animado no boteco.
E aí Seu Zé, firmão? Desce aquela gelada manêra pá nois!
É pra já, Dudu!
E aí, Tião! Firmeza, mano?
Suave, Dudu e ai?
De boa, né mano?! Só nos corre! … E aí? Segundona é nois, né não? É dia de descê pra avenida, sambar a semana toda e chapar o globo!
Opa! Pode crê! Só não sei se vai dar pra chapar o globo nesse perrengue que nois anda, né? HAHA!
Vish, cara! Esquenta com isso não. Dinheiro não é problema. Cola na minha, você e sua mina já tão com o rolê feito. E o senhor também hein Seu Zé! O negócio é a quebrada toda curtir o carnaval. Nois é tudo irmão aqui e essa é a única época do ano que a quebrada existe, mano.
Pode crê, Dudu! Tá certo...
Aí, negada, vou nessa que tenho que trampar ali, mas tô falando sério. Cola na nossa, semana que vem, vamo sair no bonde pra avenida. Tamo junto! E valew pela ceva Seu Zé!
Vai lá, Dudu. Na paz!
Dudu volta para o outro lado da rua no mesmo ritmo que foi para o boteco. Talvez já esteja no clima do carnaval.
É, Zé! Molecada tá animada.
Ganhando dinheiro igual eles tão ganhando aí, até eu fico animado assim, Tião.
Desce outra dose pra mim e uma latinha daquela que o Dudu levou, Zé. Por favor.
Seu Zé pega a lata de cerveja na geladeira, coloca no balcão e serve outra dose de conhaque para Tião e outra de Vila Velha para si. Então senta na banqueta do caixa com seu corpo velho, magro e enrugado, e suas roupas rotas, usando um chinelo tão gasto que a correia deve estar presa com um prego por baixo. Aproxima o copo dos lábios, olha para Tião como se fosse dizer algo, mas não. Ele bebe a pinga toda em um só gole e coloca o copo vazio sobre o balcão.
Esses dias o Dudu tava aqui me falando que ele chega pegar quinhentos conto só numa sexta igual hoje, Tião! Sexta-cheira, como eles chamam, pode?
É complicado, Zé! Eu tenho é medo do meu moleque se engraçar pra essas bandas. Muito dinheiro... vida boa. Têm tudo na mão! Bem diferente da vida que dou pra ele. Mas em compensação, pra rodar é um pulo. Sei não, viu Zé. Tenho medo!
Seu moleque é esperto, Tião. Fica tranquilo.
Pode crê, né? Vou nessa! Vou tomar um banho e jantar que Cidinha deve tá esperando já. Valeu, Zé!
Vai lá Tião. Até mais.
*
Segunda-feira já amanhece nos 32 graus. A kombi branca estaciona na frente do barraco de Tião e Dudu abre a porta lateral de uma vez, gritando animado junto com Tico, Éder, Perifa e Alan.
E aí Tião, bora? Eu falei que a gente ia descer no bonde, pô!
Vish, cara! Fechô! Guenta dois minutin que tamo indo.
Tião corre, apressa Cidinha e Murilo, seu filho, que já estão quase prontos para descerem. Pensaram que iam sozinhos e a pé, agora estão animados com a carona.
Vem logo, mano. Tamo esperando. Falei pro cê, mano! Falei que cê ia com nois, cê não acreditou, pô!
Foi mal, cara. Achei que era caô mesmo! Mas já era, tamo pronto. Vamo nessa!
Os moleque ligou nois falando que tá tendo bloco no Largo dos Leões e que tá o céu na terra mano, é pra lá que nois vai primeiro, porque o negócio tá bom demais lá. Demorô?
Demorô, mano, cê que manda!
E aí, Cidinha? E aí Murilão? Cês tão de boa, mano?
Tamo sim Dudu.
Responde Cidinha.
Olha, tem um galão de água lá atrás. O negócio hoje é pra chapar e nosso lema é “quem não aguenta bebe água”, tá ligado? HAHAHA! Zuera, zuera! Mas é isso aí, cês já tão ligado do galão, se quiser é só pegar.
A kombi branca desce pelas ruas da comunidade. Há pessoas gargalhando e dançando. Há caixas de som nos volumes mais estridentes e a paz parece invadir a favela, enquanto todos compartilham da mesma alegria. É feriado. É Carnaval. É o viver. E, uma massa de gente desce o morro, enquanto a bola rola nos pés de algumas crianças e o suor escorre das costas nuas aos pés descalços, em um escasso lazer. Na rua, todos estão felizes apesar da pobreza. Na kombi, todos estão felizes apesar da falsa riqueza.
Olha aí, Cidinha. Atrás de você tem umas quatro caixas de isopor com ceva. Tem Vodka e Whisky também. Vê aí o que você quer tomar e fica à vontade. Pode pegar pra você e pro Tião que é tudo nosso. Só ali, perto da janela, que tem refri. Aquela lá é só refri que nois trouxe procê, Murilão. Pode pá que é nois, moleque.
Beleza. Valeu negada!
Responde Tião, enquanto pega uma lata de cerveja das mãos de Cidinha.
Sabe o que eu curto em vocês, negada? Cês tão aí no comando do morro, mas sempre na humildade, ajudando a gente que se mata de trabalhar e tá sempre no perrengue. Cês tão ligado que o negócio é louco.
É isso aí, Tião. Nois tá ligado que o negócio é louco, mano. Por isso nois tem que correr junto, mano. Seu Zé também era pra tá aqui, mas ele disse que só vai descer amanhã.
Então mano! É isso, cês são humilde. Cês não chegam tocando o terror pra cima da comunidade, nem nada assim. Cês são mais ou menos no rolê que meu vô falou uma vez.
Que rolê é esse aí, Tião?
Vish, mano. Meu vô falava umas parada assim louca. Ele falava que a galera do morro é que tem o poder, mas só não tem consciência que tem tanto poder e que as coisas só iam mudar pra nois, que somos do povo mesmo, no dia em que o morro descer... e não for carnaval. Mesmo porque cês fazem a comunidade funcionar bem, mano.
E aí, Tião! E não é que é verdade esse rolê? A galera não tá nem ligada da força que tem, mano! Se nois colar em peso nos playba, ninguém segura mano.
Pois é, cara! Desde que meu vô falou isso, eu fico viajando nessas ideias. O foda é que só vejo esses rolê. Tipo, a galera que manda na quebrada querendo ser igual os playba e fica nessas treta toda, enquanto os playba manda no país e os trabalhadô aqui se fodendo o tempo todo.
Mas vai falar que cê também não quer fazer uns rolê dahora igual dos playba, Tião?! Vestir uns pano bom, comer uns rango dahora e tals.
Claro que quero, mano! Todo mundo quer. Mas não quero ir pro crime pra isso mano. Imagina que louco se todo mundo pudesse ser igual sem tá no rolê errado?
Pode crê mano! Nois podia começar esquematizar esses corre aí, falar com os cara de outras quebrada e descer todo mundo pra gente mudar essa porra toda, mano! Aí melhora pra todo mundo e os playba para de jogá B.O pra nois. Aí nois pode ir pra praia de boa, fala aí?!
É isso aí mano. É disso que tô falando.
Cara. Vou agilizar esses corre logo depois do carnaval!
Mas cê acha que rola, Dudu? Isso é só umas parada que meu vô falava.
Ah, mano, sai dessa! Claro que rola. Eu nunca parei pra pensar nisso, mas é verdade. Olha o poder que nois têm! Todo mundo tem medo de nois, onde quer que nois vai! Não sei por que não pensei nisso antes! A gente vai na praia em meio gato pingado e os playba já fica em choque. Imagina se desce o bonde?
É foda mesmo! O problema é que nois fica mais preocupado em ter o que eles têm do que em mudar o rolê todo, mano.
Disse Murilo, pra fechar a conversa. Então todos tomam um gole de cerveja, pensativos, menos Murilo, que apenas olha pela janela.
O silêncio toma conta da Kombi por dois minutos, enquanto todos bebem.
Chegam ao Largo dos Leões.
Nossa mano! O rolê tá lotado. Temos que achar um buraco pra estacionar.
Disse Éder, que está dirigindo. Enquanto o Bloco Bicho Solto soa ao longe e Natiruts Reggae Power toca em ritmo de Axé.
*
Em casa Seu Zé assiste ao desfile das escolas de samba na TV. Na rua o povo pula, dança, samba, canta. Ainda é carnaval, mas lá, em meio à festa, na mente de Dudu o que se passa é a contradição do carnaval, é a mudança, é o que o avô de Tião falou, é a miséria da comunidade, é o álcool gerando ódio contra os ricos, é a dor e o vazio do peito e as lembranças da infância. “Não devia ser assim, mano! Pobre só consegue alguma coisa se entrar para o crime?” Então Dudu tira um pino azul do bolso, abre lentamente, com um olhar de ódio, senta na escada da igreja, tira a carteira do bolso, derrama o pó branco sobre as costas da carteira, divide aquele pequeno morro em duas carreiras com um cartão, enrola uma nota de cinquenta, coloca o tubo no nariz e inspira uma. Inspira outra. Enfia a mão no bolso, tira um maço de cigarros, pega um cigarro, passa o filtro sobre os vestígios de pó que restaram sobre a carteira, leva o cigarro à boca, acende e sabe que a vida é dele. Então guarda tudo que está fora dos bolsos, toma de uma só vez toda a cerveja da lata que está ao seu lado e caminha em direção à multidão.
E aí Dudu! Têm um pó aí mano? O meu acabou!
Perguntou Alan.
Tá tendo, mano! Pega!
Mais à frente está Tião levando tapa na cara. É um policial negro, alto e forte quem bate, enquanto seu companheiro de viatura observa, com o cassetete nas mãos. Dudu vê aquela cena e caminha, com ódio no olhar, a direção de Tião. Caídos no chão, ao lado da viatura, estão Murilo e Cidinha, aos pés do outro policial.
E aí negão! Tá fazendo o que aí no canto? Tá vendendo bagulho? Cê rodou carai, entra logo na porra do carro que eu paro de dar na sua cara!
Grita o policial para Tião.
E aí Seu polícia? Que que tá rolando?
Dudu chega falando.
E aí, neguin? Tu tá pensando que é quem pra chegar acelerando aqui?
Sou ninguém, não! Sou o Dudu lá do morro e o tio aí tá comigo.
Tá passando droga né, neguin?
Que passando droga o caralho, porra! Seu Tião é pai de família, tu não tá vendo, não? A mulhé e o filho dele ali, mano! Nois desceu pra curtir o rolê.
Alan, Tico, Éder e Perifa chegam e levantam Cidinha e Murilo. O policial chuta Tião e os moleques gritam, então o policial também grita.
Olha aí! Vaza! Vaza, todos vocês, se eu trombar vocês aqui de novo, vai rodar todo mundo.
Dudu discute com o policial.
Tu só faz isso porque nois é pobre e preto. Quero vê tu chegar num playba branquinho e dar esses esculacho! Olha tua cor mano, cê devia correr com nois!
O policial fecha a cara e caminha até a viatura. Pega uma espingarda calibre 12 que estava no banco do carro, aponta para a cabeça de Dudu. O outro policial encosta, apontando, o revólver na cabeça baixa de Tião.
Vai matar mata, mano! Depois cê acerta com o pessoal da quebrada!
Os olhos do policial e de Dudu se encontram e se mantêm fixos um no outro. Olhares raivosos, trêmulos. Os segundos ficam eternos. Uma gota de suor desce pela testa do policial. Dudu está com a boca seca, precisa de uma cerveja. O dedo do policial treme no gatilho. Os dentes de Dudu semicerrados. O policial pisca. Na garganta de Dudu descem vestígios de um gosto amargo. Os olhares continuam fixos. Na rua, uma multidão passa, fantasiada, dançando e cantando, como se nada mais estivesse acontecendo. O olhar de uma criança negra é atraído pela cena. Assustada. Entra na multidão. O olhar de uma criança branca é atraído pela cena. Aponta mostrando ao pai. Continuam a caminhar. Nada acontece. A música toca. O bloco se afasta. O cano gelado encosta na cabeça de Tião. O cano gelado encosta na testa de Dudu. O policial pisca. Treme. Dudu lambe os lábios. Pensa que precisa de um pó. Cidinha e Murilo encaram a todos assustados. Os moleques também. Uma garota para. Branquinha. Assiste à cena. Ninguém a nota. Ela sai espantada. O policial respira fundo. Dudu fecha os olhos. Pede que Jesus o salve. Então o policial abaixa a arma e entra no carro.
Vam embora Waltão. Não compensa sujar as mãos com esses aí, não!
O companheiro entra no carro. Liga a viatura e some na multidão, enquanto Dudu ajuda Tião a levantar e a andar, mancando.
Mano, nois somos os poucos representantes da nossa quebrada aqui, nois precisamos levantar e andar e só agora eu entendi o rolê que seu avô disse. O dinheiro que a gente trabalhadora se mata pra ganhar some no fim do mês e as panela continuam vazias, os playba conhecem tudo, menos a fome, como nois. E ainda somos nois que somos humilhados assim, por esses cuzão! Mas nois somos mais que isso, mano. Nois aguenta o que eles não aguenta. Levanta ai mano, vai!
Dudu sorri aquele sorriso de cocaína e fala sem parar, olhando nos olhos de Tião, que está limpando o sangue do nariz, com os lábios cortados. Cidinha e Murilo olham à volta assustados, com medo da polícia voltar, enquanto os ricos passam bebendo de uma só vez o que Tião ganha em dois meses de trabalho.
Mano…
Diz Dudu, enquanto abre outra lata de cerveja.
Vai por mim. Eu vou dar um ligue nos cara hoje mesmo e vou ver se no máximo em duas semana nois resolve isso. O morro vai descer depois do carnaval e ninguém vai querer ver nosso desfile. No lugar dos fogos vai ser pipoco mesmo, sem ensaio sem nada e todas as facções do rolê vão se juntar formando uma só bateria. Quero ver quem vai ser jurado da porra toda. Sem autoridade nenhuma. Todo mundo vai sambar enquanto a quebrada luta numa união. Aí Tiãozin, tú vai ter dignidade pra tua família. O bagulho vai ser louco e nois vai colocar ordem nessa porra, tu vai ver, Tião!
Vam fazê a revolução, Dudu!
Isso memo, Murilão. O bagulho vai ficar louco!
Tô até imaginando a negada descendo de tudo que é canto, Dudu.
Disse Tião secando o sangue do canto da boca com a ponta do dedo indicador. Limpa o sangue na barra da camiseta e pega uma lata de cerveja.
Agora, Tião, o negócio é curtir. Os cara são vacilão e ficam esculachando nois, mas não vamos deixar isso foder nosso rolê não. Toma um gole de ceva e vamos curtir essa semana, porque semana que vem nois coloca ordem nessa porra e só vai ter alegria na quebrada, tu vai ver!
Porra, Dudu! Só porque eu sou preto os cara vem me esculachar. Eu só tava aqui, de boa, curtindo o desfile com minha família, pô!
Tô ligado, porra! Eu te conheço, Tião. Por isso eu disse que semana que vem mesmo nois vamos resolver essa porra e vai ser por você e por minha irmã que também trampa igual uma louca pra ganhar porra nenhuma e ficar fazendo vontade de playba folgado. Nois vai resolver isso tudo na semana que vem mesmo. Já até mandei mensagem pros caras de Sampa e de Minas pra já ir agilizando o rolê, porque o lance é nois fazê uma revolução, igual seu moleque disse, e não a gente ficar aqui ganhando com o pó enquanto a quebrada dá mais dinheiro pros playba e apanha dos homi quando vai curtir um rolê.
Pode crê! Fecho Dudu. Nesse rolê eu tô contigo, e aposto que a comunidade também. Aposto que todos vão correr com você! Tamos junto!
Mas agora vamos beber, mano, porque ainda é carnaval!
Tião pega na mão de Cidinha. Murilo está do outro lado da rua tomando uma Fanta na latinha, enquanto as pessoas passam sambando e cantando, fantasiadas. Tião pede um gole da Vodka que Dudu está tomando, enquanto Dudu olha o movimento a sua volta, pensando em fazer outra carreira de pó. Saem todos junto, abraçados e cantando.
*
Dudu senta no ponto de ônibus. Tira a carteira. Pega uma nota de vinte reais. Enrola a nota fazendo um tubo. Derrama todo o pó do pino nas costas da carteira. Faz duas carreiras. Olha para o alto e respira fundo. Já não há mais ódio em seu olhar. Abaixa e inspira a primeira carreira de pó. Toma um gole de cerveja. Acende um cigarro. Inspira a outra carreira. Passa o dedo sobre a carteira e tira os vestígios da droga. Lambe o dedo. Toma outro gole de cerveja e levanta, com um olhar sereno. Olhar de quem espera algo bom... Mas, em segundos, outra sensação toma seu corpo que cai trêmulo. A língua enrola. Uma espuma branca escorre por seu rosto que para com os olhos abertos e o olhar vazio, olhando para o céu. Azul.
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