A Bola Azul
Uma bola azul desce a rua, rolando numa velocidade impressionante. Um menino assustado, com os pés descalços, de bermuda e sem camisa, passa diante de meus olhos, correndo atrás da imensa e fina bola de borracha. Na esquina, dona Teresa interfere. Tenta pegar a bola que bate no pé direito da mulher e sobe.
Uma bola azul rolou rua abaixo e agora voa acima da cabeça de Dona Teresa, que observa com um olhar preocupado. O garoto, preocupado, para de correr e observa, com um olhar aflito. Todos que estão na rua param. Observam a bola subir. Estão tensos.
A bola gira no ar, em direção à lança do portão de dona Teresa, mas ainda sobe. Os olhos do garoto denunciam: ele já sabe o que vai acontecer. Uma lágrima escorre. Então a bola começa a descer. A velocidade parece reduzida e o tempo parece não passar. Outros garotos jogam pedras, tentando desviar a direção da bola, mas ninguém consegue acertar.
A bola desce girando. Ainda há esperança. Mas… não. A bola cai exatamente na ponta da lança do portão de dona Teresa. Num som estridente, o ar evanesce. Aos poucos a bola murcha e se transforma em um simples pedaço de borracha azul, mole, preso na lança de um portão.
O garoto abaixa lentamente sua cabeça, encostando o queixo no peito. Então a tristeza o abraça. Dona Teresa, com uma vassoura na mão direita, se abaixa, passa a mão sobre a cabeça do garoto e diz que comprará outra bola ainda hoje. Mas ele sabe. Não será a mesma bola, pensa o garoto que levanta-se imediatamente, corre para casa e chora, abraçado às longas pernas de sua mãe, que apoia uma garrafa de café em cima da pia.
Gostinho de infância... :)
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