Vizinhança
Todo dia a mesma coisa! Um cachorro late daqui, 3 ou 4 latem dalí, outros 15 latem na rua de baixo e é uma cachorrada que não acaba mais.
Chego em casa e a cadela da vizinha avança no muro que nos divide, latindo sem parar. Parece que vai derrubar a parede. Eu entro, ligo a TV, mas ainda consigo ouví-la raspando por trás da parede da sala.
A qualquer momento aquela cadela vai atravessar esses tijolos e cair em cima da minha televisão!
Eu saio pra ir ao mercado e a vizinha passa:
---- Oi, bem! Tudo bem com você?
---- Tudo bem, dona Maria e com a senhora?
---- Tô bem também!
Dá dó, sabe? Uma senhorinha daquela idade, simples, sensível, cabelo todo grisalho... Vira e mexe eu ouço o filho dela berrando. Um marmanjo, casado, com duas filhas e que passa o dia inteiro doidão e gritando com a mãe... a senhora dos cachorros.
Dá dó, sabe? Dá até vontade de reclamar do barulho. Dos cachorros e não do filho. Mas dá dó demais para reclamar.
Eu volto do mercado e lá está ela novamente.
Ou ainda?
É… Acho que “ainda”. Os ônibus nesse bairro demoram uma eternidade para passar. Aí as senhoras, como a Dona Marina, ficam horas naquele ponto esperando o bendito do ônibus que, muitas vezes, cortam caminho e acabam não passando naquele ponto.
Eu a comprimento novamente e o filho dela desce num gol preto, com música alta e a latinha de cerveja na mão. Nem olha para a mãe que espera o ônibus para buscar os netos na creche.
Vai entender o que se passa na cabeça desse filho/pai que dirige sem olhar para mãe que espera há mais de uma hora por um ônibus!
Eu continuo subindo a rua em direção a minha casa.
---- Fala, Seu Luís! Tudo bem?
---- Booom…!
Abro o portão e a cachorrada aparece novamente. Os latidos vem de todos os lados. Como alguém estuda ou trabalha assim?
Eu acho que a vizinhança toda deveria se portar igual ao Seu Nilson que mora na casa da frente; aparece pela manhã varrendo a calçada, comprimenta educadamente e some o resto do dia. Nem sinal dele, nem de cachorros ou de qualquer filho que seja, naquela casa.
Não que eu seja ranzinza. Só quero dormir tranquilo, ao menos um dia, sem ouvir latidos ou cachorros cavando a parede do meu quarto. Quero ao menos uma semana pra eu estudar e trabalhar em silêncio. Mas tudo bem, vai! Nada é perfeito nessa vida.
No entanto, uma coisa é fato: Eu vivi grandes momentos aqui. Afinal, 12 anos é uma vida e não posso negar que vou sentir falta de algumas coisas. Não dos cachorros.
Chego em casa e a cadela da vizinha avança no muro que nos divide, latindo sem parar. Parece que vai derrubar a parede. Eu entro, ligo a TV, mas ainda consigo ouví-la raspando por trás da parede da sala.
A qualquer momento aquela cadela vai atravessar esses tijolos e cair em cima da minha televisão!
Eu saio pra ir ao mercado e a vizinha passa:
---- Oi, bem! Tudo bem com você?
---- Tudo bem, dona Maria e com a senhora?
---- Tô bem também!
Dá dó, sabe? Uma senhorinha daquela idade, simples, sensível, cabelo todo grisalho... Vira e mexe eu ouço o filho dela berrando. Um marmanjo, casado, com duas filhas e que passa o dia inteiro doidão e gritando com a mãe... a senhora dos cachorros.
Dá dó, sabe? Dá até vontade de reclamar do barulho. Dos cachorros e não do filho. Mas dá dó demais para reclamar.
Eu volto do mercado e lá está ela novamente.
Ou ainda?
É… Acho que “ainda”. Os ônibus nesse bairro demoram uma eternidade para passar. Aí as senhoras, como a Dona Marina, ficam horas naquele ponto esperando o bendito do ônibus que, muitas vezes, cortam caminho e acabam não passando naquele ponto.
Eu a comprimento novamente e o filho dela desce num gol preto, com música alta e a latinha de cerveja na mão. Nem olha para a mãe que espera o ônibus para buscar os netos na creche.
Vai entender o que se passa na cabeça desse filho/pai que dirige sem olhar para mãe que espera há mais de uma hora por um ônibus!
Eu continuo subindo a rua em direção a minha casa.
---- Fala, Seu Luís! Tudo bem?
---- Booom…!
Abro o portão e a cachorrada aparece novamente. Os latidos vem de todos os lados. Como alguém estuda ou trabalha assim?
Eu acho que a vizinhança toda deveria se portar igual ao Seu Nilson que mora na casa da frente; aparece pela manhã varrendo a calçada, comprimenta educadamente e some o resto do dia. Nem sinal dele, nem de cachorros ou de qualquer filho que seja, naquela casa.
Não que eu seja ranzinza. Só quero dormir tranquilo, ao menos um dia, sem ouvir latidos ou cachorros cavando a parede do meu quarto. Quero ao menos uma semana pra eu estudar e trabalhar em silêncio. Mas tudo bem, vai! Nada é perfeito nessa vida.
No entanto, uma coisa é fato: Eu vivi grandes momentos aqui. Afinal, 12 anos é uma vida e não posso negar que vou sentir falta de algumas coisas. Não dos cachorros.
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