Estrangeiros em terras de índio
Era semana santa. Sábado à tarde, antecedente ao domingo de páscoa, Eduardo pegou a bicicleta e saiu de fininho, abriu ou portão e ouviu:
— Não, não... Onde o senhor pensa que vai?
— Ah, pai! Deixa eu andar de bike, só um pouquinho?
— Não, hoje não.
— Mas, pai! Só um pouco, aqui na frente mesmo.
— Não, Eduardo! Hoje não, já falei! Hoje não é dia de fazer nada, porque Jesus morreu e não tá olhando nois hoje e você sabe disso! Hoje não é dia de fazer nada, entra e vai pro seu quarto!
— Mas, pai, só um pouco, eu juro? Isso que o senhor disse é só superstição, não tem nada a ver.
— Ha-a! Então é assim? Então vai, sai com essa bicicleta, mas se você quebrar a cara... olha, não quero ninguém chorando no meu ouvido, se não eu quebro o que sobrar!
Então Eduardo saiu e juntou-se a Ramon, ao Felipe, Thiago e Éder, que já estavam andando de bicicleta na rua a algumas horas.
Deram voltas e voltas no quarteirão, se encantaram com uma marca de cimento que estava com um pouco de areia, na frente da construção do Seu Galvão, na esquina de baixo da rua de Eduardo.
Subiram a rua, todos, empurrando as bicicletas e pararam na esquina de cima, tiraram dois ou um e o Thiago foi o primeiro. Subiu na bicicleta, pedalou, tomou velocidade até chegar em cima da marca de cimento, onde apertou o freio e virou um cavalo de pau. Depois foi a vez do Ramon, em seguida Felipe, Éder e, por fim, Eduardo. Foi quando o desastre aconteceu.
Eduardo tomou velocidade, apertou o freio em cima da marca, como todos, mas na hora de fazer a manobra, seu pé direito escapou do pedal, sua virilha foi de encontro ao quadro da bicicleta e o conjunto que formou Eduardo e bicicleta, foi ao chão. O joelho do menino deslizou no chão,deixando parte da pele no asfalto, enquanto os olhos, instantaneamente, soltaram as primeiras lágrimas.
O problema maior, pra completar a situação do garoto, foi o olhar de Hélio, pai de Eduardo, que estava observando toda a cena, sentado na calçada de sua casa:
— Eu não disse, teimoso? Fica de pirraça, fica! Agora você aprende a me ouvir quando eu falar!
— Não chora, não, meu filho! — Interrompeu Cristina, a mãe. — Não chora, não que já passa.
— Mas, mãe... É verdade... Jesus não tá olhando, hoje... Eu prometo, vou ficar quietinho, agora...
— Não tem que prometer nada, não. Pára com isso, menino! Jesus olha sim. Meu filho... isso é coisa do seu pai. Jesus morreu há muito tempo, mas ressuscitou e ta vivo há muito tempo, também. Ta vivinho da Silva, pode ficar tranquilo. Seu pai tem essa cultura por causa da família dele, mas há muitas outras culturas em nosso país, muitas pessoas que não acreditam nisso e vivem o dia de hoje normalmente, se fosse verdade o que seu pai disse, sobre o dia de hoje, se Deus não estivesse nos olhando... essas pessoas todas nem existiriam mais ( só não fala pro seu pai que estou te falando isso). Você precisa conhecer tudo isso sozinho, meu filho.Você tem muito o que aprender e uma hora vai saber em que acreditar. Olha, meu filho... Aqui, nesse país em que vivemos, era terra dos índios, mas os portugueses chegaram e trouxeram suas "manias" e depois passou a vir outros povos, de outros países e isso foi aumentando, cada povo trazendo suas manias, costumes e crenças e, por isso, hoje em dia existem tantas crenças diferentes em nosso país... tantas pessoas que acreditam em tantas coisas diferentes. Porém, você não precisa acreditar em tudo o que dizem. Somos um bando de estrangeiros em terras de índio, Eduardo. Descubra por você mesmo a verdade, sem acreditar em tudo o que lhe dizem. Seu pai mesmo, acha que Jesus ta morto hoje, mas eu acredito que Ele está vivo e, pode ter certeza, meu filho... Deus sempre vai olhar por você. Você caiu por que tinha que cair e não por Ele não estar olhando... Agora vai lavar esse sangue!
— Não, não... Onde o senhor pensa que vai?
— Ah, pai! Deixa eu andar de bike, só um pouquinho?
— Não, hoje não.
— Mas, pai! Só um pouco, aqui na frente mesmo.
— Não, Eduardo! Hoje não, já falei! Hoje não é dia de fazer nada, porque Jesus morreu e não tá olhando nois hoje e você sabe disso! Hoje não é dia de fazer nada, entra e vai pro seu quarto!
— Mas, pai, só um pouco, eu juro? Isso que o senhor disse é só superstição, não tem nada a ver.
— Ha-a! Então é assim? Então vai, sai com essa bicicleta, mas se você quebrar a cara... olha, não quero ninguém chorando no meu ouvido, se não eu quebro o que sobrar!
Então Eduardo saiu e juntou-se a Ramon, ao Felipe, Thiago e Éder, que já estavam andando de bicicleta na rua a algumas horas.
Deram voltas e voltas no quarteirão, se encantaram com uma marca de cimento que estava com um pouco de areia, na frente da construção do Seu Galvão, na esquina de baixo da rua de Eduardo.
Subiram a rua, todos, empurrando as bicicletas e pararam na esquina de cima, tiraram dois ou um e o Thiago foi o primeiro. Subiu na bicicleta, pedalou, tomou velocidade até chegar em cima da marca de cimento, onde apertou o freio e virou um cavalo de pau. Depois foi a vez do Ramon, em seguida Felipe, Éder e, por fim, Eduardo. Foi quando o desastre aconteceu.
Eduardo tomou velocidade, apertou o freio em cima da marca, como todos, mas na hora de fazer a manobra, seu pé direito escapou do pedal, sua virilha foi de encontro ao quadro da bicicleta e o conjunto que formou Eduardo e bicicleta, foi ao chão. O joelho do menino deslizou no chão,deixando parte da pele no asfalto, enquanto os olhos, instantaneamente, soltaram as primeiras lágrimas.
O problema maior, pra completar a situação do garoto, foi o olhar de Hélio, pai de Eduardo, que estava observando toda a cena, sentado na calçada de sua casa:
— Eu não disse, teimoso? Fica de pirraça, fica! Agora você aprende a me ouvir quando eu falar!
— Não chora, não, meu filho! — Interrompeu Cristina, a mãe. — Não chora, não que já passa.
— Mas, mãe... É verdade... Jesus não tá olhando, hoje... Eu prometo, vou ficar quietinho, agora...
— Não tem que prometer nada, não. Pára com isso, menino! Jesus olha sim. Meu filho... isso é coisa do seu pai. Jesus morreu há muito tempo, mas ressuscitou e ta vivo há muito tempo, também. Ta vivinho da Silva, pode ficar tranquilo. Seu pai tem essa cultura por causa da família dele, mas há muitas outras culturas em nosso país, muitas pessoas que não acreditam nisso e vivem o dia de hoje normalmente, se fosse verdade o que seu pai disse, sobre o dia de hoje, se Deus não estivesse nos olhando... essas pessoas todas nem existiriam mais ( só não fala pro seu pai que estou te falando isso). Você precisa conhecer tudo isso sozinho, meu filho.Você tem muito o que aprender e uma hora vai saber em que acreditar. Olha, meu filho... Aqui, nesse país em que vivemos, era terra dos índios, mas os portugueses chegaram e trouxeram suas "manias" e depois passou a vir outros povos, de outros países e isso foi aumentando, cada povo trazendo suas manias, costumes e crenças e, por isso, hoje em dia existem tantas crenças diferentes em nosso país... tantas pessoas que acreditam em tantas coisas diferentes. Porém, você não precisa acreditar em tudo o que dizem. Somos um bando de estrangeiros em terras de índio, Eduardo. Descubra por você mesmo a verdade, sem acreditar em tudo o que lhe dizem. Seu pai mesmo, acha que Jesus ta morto hoje, mas eu acredito que Ele está vivo e, pode ter certeza, meu filho... Deus sempre vai olhar por você. Você caiu por que tinha que cair e não por Ele não estar olhando... Agora vai lavar esse sangue!
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