Flô de Roça
— Ó meu amorzin que quando bat'no peito só me causa dor viu! Mas que diacho é isso do teu lado Dona Margarida?
— Que diacho que nada não Seu Cravo. Óia o respeito Homi!
— Mas que óia respeito que nada muié. Eu tô loco pra pegá o cabra e tu me vêm com "respeito"? Tu que não toma tento não que tu vai vê viu? Eu chego aqui, loco pra senti teu perfume e tu aí de braço dado com esse cabra?
— Ah ta! É isso então. Mas tem nada não Seu...
— Que "tem nada não" o que muié? Tu acha que eu sou um jumen'daqueles lá da fazend'sua madrinh'é?
— Exatamente homi!
— O que?!
— Não, não. Exatamente que...
— Mas tu ta...
— Péra ai vai Seu Cravo. Fala mai nada não! Pergunta aqui pra Dona Rosa se tem alguma coisa. Tu chega aí falando mais que a boca, sem saber de nada ainda. Fala pra ele Dona Rosa.
— É verdade Seu Cravo. Tem nada não moço. Dex'ela explicá.
— Aff, minha noss'inhora! Fala então Dona Margarida, fala.
— Tu é besta homi. Tu num ta vendo que nem flô isso é? É o primo que madrinha mandou lá da fazenda, ele é milho, ta vendo não Seu Cravo.. Ouvim'os fazendeiro fala que vão fazê pamonha e cural pra festa de hoje a noite. Só vão buscá os outros lá na madrinha. Coitado já ta aqui morrend'e medo e tu chega co'esse fogo tudo ai, assustando inda mais ele!
— Oxe! Mas com'eu ia sabê gente! eu chego e tu ta ai de braço com o cabra e quer que eu pense o que? Mas num falo mai nada também. Tô é morrend'e vergonha viu? Descurpa ai Seu moço. Vou é embora e amanhã eu vorto. Tchau pro cês.
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