Davi
É tão pequeno.
Tão delicado. Às vezes nos perguntamos: Será que é de verdade?
Ali estava ele,
olhinhos fechados, com um macacão azul fazendo-o parecer ainda menor. Entrou no
quarto, berço carregado pela enfermeira e enchendo nossos olhos. Chegou para
nos encher de vida, de brilho, de cheiro de neném.
A mãe sorria,
seus olhos brilhavam ao segurar aquela minúscula beleza em seus braços. A tia
parecia segurar o choro de tanta felicidade, pegou-o no colo logo em seguida,
sem parar de rir, e aquele brilho me enchia ainda mais. Eu, o tio babão que mal
sabe se expressar, em meu medo de segurá-lo, medo de machucá-lo. É tão
delicado.
Mama Davi, mama.
Mas não queria mamar. Na verdade ele estava com dificuldade em pegar o peito.
Viu só? Pequeno demais até para mamar, "ô coisinha!".
Aquele macacão só
fazia aumentar tamanha fofura e minha vontade de apertá-lo. Quando chegou minha
vez, segurei com tanto cuidado, eu não sabia o que fazer, mas me senti voando
e, quando abriu os olhinhos, me olhava, se pudesse teria olhado dos pés a
cabeça, mas me observou curioso e segurou meu dedo. Ah meu sorriso!
A tia babona e o
tio sem poder dizer nada, eu estava igual e era nosso agora, nosso sobrinho,
nosso bebê, nosso Davi. A mãe jantava,
nós brincávamos babando e fotografando até a hora de despedir-se. Então os
deixamos, querendo ficar, partimos e não mais paramos de pensar, em mim aquela
pessoinha não me saiu da mente, junto com o cheirinho que me faz querer vê-lo
novamente o quanto antes, me pegando apaixonado. Minha pequena grande paixão.
O nosso amor, de
tio e tia, que desde antes já nascia, pergunta-se: Por que tens que crescer,
criaturinha? Agora nosso assunto é você e também os cuidados que hemos de
ter.
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